Procrastinar. Deixar, em suspenso, de um tudo – e não pouco. Inventar, aos infindáveis, nada sutis empreitadas. Num em bem pouco dissimulado ocupar-me, andar às voltas – e de volta – sem [sequer literalmente; nem mesmo por um instante] sair do lugar. Sentir, caído o dia, da suposta responsabilidade o peso, e o dissabor, e a culpa – bem mesmo assim; nesse todo amargurado exagero. Ainda num como arrependido, ouvir, no acaso do rádio – melodioso sotaque, em sintonia –, de um inspirado Lenine o oportuno, a aconselhar: “o certo é que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nu-unca se leve tão a sério, nu-unca se deixe levar”. Cantar junto – cabeça balançando, pouco custa o confessar. E me permitir – como que aliviado –, em um só suspiro, de meu todo-já-descanso descansar: feriado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
não custa registrar o pensamento.